FIV engorda? O que um novo estudo descobriu sobre peso e estimulação ovariana

“FIV engorda?”

Essa é uma pergunta muito comum entre mulheres que estão iniciando ou considerando um tratamento de fertilização in vitro.

E a preocupação faz sentido.

Durante a estimulação ovariana, a paciente usa medicações hormonais, percebe mudanças no corpo, pode sentir inchaço abdominal e, em alguns casos, nota alteração na balança.

Mas uma coisa precisa ficar clara desde o início: aumento temporário de peso durante a estimulação não significa, necessariamente, ganho de gordura corporal.

Um estudo publicado no American Journal of Obstetrics & Gynecology avaliou mais de 22 mil ciclos de estimulação ovariana e trouxe dados importantes para colocar essa dúvida em perspectiva.

A conclusão principal foi que a variação média de peso durante o tratamento foi pequena e temporária.

O que o estudo analisou?

O estudo avaliou 22.106 ciclos de estimulação ovariana em protocolo antagonista, realizados entre 2017 e 2023.

As pacientes tiveram o peso registrado antes da estimulação e novamente próximo ao momento da coleta dos óvulos ou no período após a coleta.

O objetivo era entender quanto o peso costuma variar durante esse processo e se essa mudança era diferente em pacientes com síndrome de hiperestimulação ovariana ou em mulheres que passaram por mais de um ciclo.

O resultado encontrado foi um ganho médio de 0,64 kg, equivalente a cerca de 0,8% do peso inicial.

Em outras palavras: para a maioria das pacientes, a variação de peso durante a estimulação foi modesta.

Então, a FIV engorda?

Depende do que estamos chamando de “engordar”.

Se a pergunta for: “a balança pode subir durante a estimulação ovariana?”, a resposta é sim, pode.

Mas se a pergunta for: “a FIV causa ganho de gordura permanente?”, esse estudo não mostra isso.

O que foi observado foi uma variação pequena e temporária, relacionada ao período da estimulação.

Durante o tratamento, os ovários aumentam de volume porque vários folículos estão crescendo ao mesmo tempo. Além disso, o corpo pode reter mais líquido, especialmente na região abdominal e pélvica.

Por isso, muitas pacientes sentem inchaço, desconforto, sensação de peso e mudança na roupa.

Isso não significa, automaticamente, acúmulo de gordura.

Na maioria dos casos, essa mudança tende a regredir depois que a estimulação termina e o organismo volta ao seu padrão hormonal habitual.

Quem pode ter maior variação de peso?

O estudo observou que algumas pacientes apresentaram ganho de peso maior durante a estimulação.

Isso aconteceu especialmente em três situações:

  • pacientes com menor IMC inicial;
  • pacientes que receberam gatilho ovulatório duplo;
  • pacientes que tiveram 10 ou mais óvulos coletados.

Esses fatores estão relacionados, em muitos casos, a uma resposta ovariana mais intensa.

Quando os ovários respondem mais ao estímulo, é esperado que exista maior aumento do volume ovariano e maior retenção de líquidos temporária.

Isso ajuda a explicar por que algumas mulheres sentem mais inchaço do que outras durante o mesmo tipo de tratamento.

E quando o inchaço merece atenção?

Sentir algum grau de inchaço durante a estimulação ovariana pode ser esperado.

Mas existem situações em que os sintomas precisam ser comunicados à equipe médica.

A paciente deve avisar o médico se apresentar aumento importante e rápido do volume abdominal, dor intensa, falta de ar, náuseas persistentes, vômitos, tontura, redução importante da urina ou ganho de peso muito rápido em poucos dias.

Esses sinais podem exigir avaliação, especialmente em pacientes com maior risco de síndrome de hiperestimulação ovariana.

A hiperestimulação ovariana é uma complicação incomum, mas que precisa ser monitorada com atenção.

Por isso, o acompanhamento durante a estimulação não serve apenas para medir folículos.

Ele também é uma parte essencial da segurança do tratamento.

O peso não deve ser interpretado sozinho

Uma alteração temporária na balança durante a FIV não deve ser vista de forma isolada.

O peso pode variar por retenção de líquido, aumento do volume ovariano, funcionamento intestinal, mudanças alimentares, estresse, ansiedade e alterações próprias do ciclo de tratamento.

Por isso, olhar apenas para o número da balança pode gerar preocupação desnecessária.

O mais importante é entender o contexto.

A paciente está com sintomas importantes?
O ganho foi rápido?
Existe dor?
O protocolo indica maior risco de hiperestimulação?
A resposta ovariana está dentro do esperado?
Quantos folículos estão crescendo?

Essas perguntas são mais importantes do que interpretar a balança sozinha.

O tratamento hormonal muda o corpo, mas isso não significa perda de controle

Muitas mulheres chegam à FIV com medo de não reconhecerem o próprio corpo durante o tratamento.

Essa sensação precisa ser acolhida.

A estimulação ovariana pode causar inchaço, sensibilidade, desconforto abdominal, alterações de humor e sensação de corpo diferente.

Mas isso não significa que a paciente está “engordando” de forma definitiva ou que perdeu o controle do próprio corpo.

O tratamento tem começo, meio e fim.

E a resposta deve ser acompanhada de perto pela equipe médica.

Quando a paciente entende o que pode acontecer, fica mais fácil diferenciar o que é esperado do que precisa ser avaliado com atenção.

O que esse estudo ajuda a esclarecer?

O estudo ajuda a responder uma dúvida muito comum com dados mais objetivos.

Ele mostra que, em ciclos modernos de estimulação ovariana, a média de ganho de peso foi pequena e temporária.

Também mostra que pacientes com resposta ovariana mais intensa podem sentir mais variação.

Isso não elimina a experiência individual de cada mulher.

Algumas pacientes quase não percebem mudança.

Outras sentem bastante inchaço.

O ponto é que essa variação precisa ser interpretada dentro do tratamento, e não como uma regra definitiva de que “FIV engorda”.

Individualização continua sendo essencial

Mesmo com dados de um estudo grande, a resposta de cada paciente continua sendo individual.

Idade, reserva ovariana, IMC, histórico clínico, risco de hiperestimulação, protocolo utilizado, dose das medicações e número de folículos em crescimento podem influenciar a forma como o corpo reage.

Por isso, não existe um protocolo único para todas as mulheres.

O acompanhamento individualizado permite ajustar medicações, orientar sintomas, reduzir riscos e conduzir o tratamento com mais segurança.

Na reprodução humana, os detalhes importam.

E as mudanças no corpo durante a estimulação também precisam ser acompanhadas com cuidado.

Conclusão

A FIV pode causar aumento temporário de peso durante a estimulação ovariana, mas isso não significa, necessariamente, ganho de gordura ou mudança permanente no corpo.

O estudo publicado no American Journal of Obstetrics & Gynecology mostrou que, em mais de 22 mil ciclos analisados, o ganho médio foi pequeno, em torno de 0,64 kg, e temporário.

Algumas pacientes podem apresentar mais inchaço ou maior variação, especialmente quando há resposta ovariana mais intensa.

Mas o mais importante é que qualquer mudança seja avaliada dentro do contexto do tratamento.

Se você está em estimulação ovariana e percebeu alteração na balança, inchaço ou desconforto, converse com a equipe que acompanha o seu caso.

Entender o que está acontecendo com o corpo também faz parte de um tratamento mais seguro e acolhedor.

Agende sua avaliação

Se você está pensando em iniciar um tratamento de fertilidade ou tem dúvidas sobre a estimulação ovariana, a equipe da Clínica Insemine pode ajudar.

Agende uma avaliação individualizada.

Referência científica

Elder S, Flannagan K, Romanski P, Zalles L, Roeca C. Evaluation of weight change during ovarian stimulation treatment. American Journal of Obstetrics & Gynecology. Volume 235, Issue 3, p. 566–572, setembro de 2026.

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